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Transportador, o novo agente ambiental

Na questão ambiental, cabe à atividade transportadora uma parte da responsabilidade pela emissão de poluentes. Imputa-se ao transporte uma culpa, na verdade, desproporcional à sua participação.

Para surpresa de alguns, não é o transporte o grande vilão da emissão de gases poluentes. No Brasil, de acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, de todo o gás carbônico jogado na atmosfera, 9% pode ser atribuído ao setor transportador. O manuseio de terras e florestas responde por 75% da emissão de C02, enquanto a indústria é responsável por 7%.

Independente do tamanho da culpa, diante do drama ambiental atual. os transportadores passaram a fazer parte importante da solução. A CNT lançou, em 2007, o Programa Despoluir como uma manifestação concreta de uma consciência cidadã por parte do setor de transporte, comprometida com um mundo ambientalmente menos exposto a riscos de poluição. O Despoluir vem promovendo a redução da emissão de poluentes ao aferir a quantidade desses resíduos que caminhões e ônibus emitem, apontando desvios em comparação aos padrões de emissão legalmente aceitos, para, assim, subsidiar a correção.

Outra ação do Programa Despoluir são os cursos de preservação ambiental e a instituição da figura do "Caminhoneiro Amigo do Meio Ambiente" e do "Taxista Amigo do Meio Ambiente", que irão mobilizar esses importantes agentes do setor transportador no esforço de todos para o combate ao aquecimento global.

São ações essenciais, particularmente envolvendo caminhoneiros, haja vista o fato de, não raro, ser ele, motorista, o primeiro a identificar, por exemplo, focos de queimada, que geralmente começam nas beiras das rodovias. Se esse profissional, imbuído de espírito preservacionista, acionar as autoridades competentes tão logo veja um sinal de queimada, mais rapidamente o fogo será combatido e menor será a emissão de C02 que ele provocará.

No final de maio, ainda por meio do Despoluir, a CNT realizou a Oficina Nacional de Transporte e Mudanças Climáticas, em parceria com o Centro de Transportes Sustentável e apoio da embaixada britânica no Brasil. O evento objetivou debater os impactos do transporte no meio ambiente, apontando propostas para o aperfeiçoamento de políticas públicas em conformidade com as diretrizes definidas pelo Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Como se vê, os transportadores estão definitivamente engajados nas soluções para os problemas ambientais. Mas é preciso legislação que acompanhe as novas necessidades, bem como programas de governo para a renovação da frota e facilidades para a adoção de novas tecnologias. O Brasil parou em um meio termo com relação ao uso de energia alternativa. O uso do etanol se mostrou uma boa solução, passando a figurar como elemento de primeira grandeza em nossa matriz energética. Contudo, o país se acomodou e não avançou nas pesquisas em busca de novas tecnologias. Um exemplo é o carro elétrico, que vem avançando em outros países, mas no Brasil ainda não alcançou resultados significativos.

O recrudescimento da poluição atmosférica, as possíveis mudanças climáticas e o aquecimento global estão trazendo ameaças concretas à sobrevivência das espécies. Os desequilíbrios ambientais precisam ser revertidos. Acreditamos que isso ainda é possível. E é por isso que o despertar do transportador para essa consciência ambiental é de suma importância. Somos agora um novo agente ambiental em defesa de um planeta melhor para vivermos.

Por Clésio Andrade, Presidente da CNT



Fonte: Revista CNT

 



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