Pesquisa aponta necessidade de mais investimentos em transporte
O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, afirmou No dia 28 de outubro, em Brasília, que o país precisa investir R$ 32 bilhões para melhorar a situação do sistema rodoviário brasileiro nos trechos classificados como regular, ruim ou péssimo pela Pesquisa Rodoviária. Clésio Andrade apresentou os resultados da Pesquisa na sede da entidade, em Brasília.
Para Clésio Andrade, é possível adequar a malha rodoviária em dois anos, desde que haja recursos suficientes para a realização de investimentos e boa vontade política para isso. “A retomada da economia está ocorrendo, e ocorrendo de forma significativa. É preciso que o investimento no sistema rodoviário, que hoje é responsável por 60% do que é transportado no país, seja feito rapidamente”, disse Clésio Andrade. Ele destacou o esforço do governo, mas observou que o total investido está muito aquém das necessidades.
Embora reconheça o esforço do governo atual, que investiu R$ 20 bilhões desde 2003 em obras rodoviárias, o presidente da CNT disse que esse esforço ainda está aquém das necessidades do país.
Este ano, foram avaliados 89.552 km de rodovias em todo país. A extensão compreende toda a malha rodoviária federal pavimentada e as principais rodovias estaduais.
A Pesquisa Rodoviária é realizada pela Confederação, em parceria com o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat).
Números
A 13ª edição da Pesquisa Rodoviária, realizada em 2009, envolveu 15 equipes técnicas, que percorreram durante 45 dias as estradas brasileiras analisando o estado geral de conservação, com base nas condições de pavimento, na sinalização e na geometria da via.
A Pesquisa também levantou as condições das infraestruturas de apoio, como postos de abastecimento, borracharia, praças de pedágio, restaurantes, entre outros.
Do total pesquisado, 75.337 km são de gestão pública e 14.215 km, de trechos concedidos e administrados por empresas privadas. No universo da Pesquisa Rodoviária 2009, 60.784 km são rodovias federais e 28.768 km, estaduais (incluindo-se aqui as concessionadas).
Na Região Sudeste foram pesquisados 25.819 km; no Nordeste, 25.012km; no Sul, 16.118 km; no Centro-Oeste, 13.551 km e no Norte, 9.092 km.
No geral, 31,0% das estradas estão classificadas como ótima ou boa, e 69% como regular, ruim ou péssima.
Da extensão sob gestão pública 22,4% aparecem como ótimo/bom e 77,6%, regular/ruim/péssimo.
As estradas federais registram 33,1% de ótimo/bom e 66,9%, regular/ruim/péssimo. Entre as concessionadas, 76,5%, ótimo/bom e 23,5%, regular/ruim/péssimo
A Pesquisa Rodoviária 2009 permite algumas conclusões:
Impactos das condições das rodovias
Quanto pior a qualidade da rodovia, menor será a velocidade de tráfego e maior a demora para entrega de cargas e viagem de passageiros.
Conforme Pesquisa de Fluidez, publicada na Pesquisa Rodoviária CNT de 2002, rodovias “com buracos” reduzem a velocidade em 8,5 km/h, e rodovias com pavimento totalmente destruído provocam queda de velocidade de 31,8 km/h.
Custo operacional dos caminhões
As condições do pavimento das rodovias afetam o custo operacional dos veículos.
Um veículo que transita em rodovia cujo pavimento está deteriorado e/ou apresenta muitos buracos terá um gasto adicional de combustível (devido às acelerações e frenagens), um maior desgaste de pneus, freios, câmbio e motor.
A menor velocidade reduz o número de viagens, o que impacta nos custos fixos: salários, seguros, licenciamentos, prestações de compra do veículo e outros.
Como resultado, estima-se que o custo de operação dos veículos de carga é 28% maior do que seria se todas as rodovias apresentassem um pavimento de ótima qualidade.
Consumo de combustível e impacto ambiental
A qualidade das rodovias afeta o consumo de combustível. Conforme o estudo do setor de transporte, o tráfego de um caminhão em uma rodovia com uma excelente condição de pavimento pode implicar uma economia de até 5% no consumo de combustível.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que o consumo de óleo diesel no país foi de 44,8 bilhões de litros. Caso fosse possível economizar apenas 1% de todo o óleo diesel consumido (447,6 milhões de litros), ao preço médio de R$ 1,993 por litro (08/08 a 15/08/09), a economia seria de R$ 865,3 milhões. Caso se alcance os 5% de redução, a economia seria de R$ 4,3 bilhões.
Acidentes em rodovias
Estatísticas do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF) mostram que o número de acidentes em rodovias federais policiadas elevou-se (de 2004 a 2008) em 23,4%, atingindo o número de 138,8 mil em 2008.
Segundo estudo realizado pelo IPEA e pelo Denatran, o custo médio de um acidente rodoviário é de R$ 58.880,00 (a preços de dezembro de 2005). Já os acidentes com vítimas fatais, R$ 500 mil.
Fonte: Imprensa CNT
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