Reajuste é para compensar redução de tarifas ocorridas no período da crise econômica em 2008/2009.
No final do ano passado, o transporte rodoviário de cargas se defrontou com enormes dificuldades operacionais para cumprir seu importante papel. Terminais superlotados, falta de caminhões, de motoristas e até de ajudantes acabaram causando expressivos atrasos nas entregas.
Em virtude dos acontecimentos, estima-se que o reajuste médio indispensável para atender às necessidades imediatas do setor deve ser revisto, dos 15%, divulgados em outubro de 2009 e não aplicados, para 18% (evidentemente, os reajustes aplicados neste período devem ser compensados).
Além disso, é importante que os transportadores sejam devidamente remunerados por todas as generalidades e serviços adicionais, tais como: tempo do caminhão parado nos clientes e nos postos fiscais, a permanência da carga nos terminais, a cubagem das cargas volumosas, manuseio, paletização, unitização, escoltas e custos com gerenciamento de riscos, entre outros.
É fato que a crise deflagrada no final de 2008 trouxe consequências graves para a atividade e que, como forma de se proteger e preservar clientes, o setor adiou investimentos e se desmobilizou. E o pior, cedeu à pressão do mercado e concedeu descontos generosos.
Com a retomada da economia já a partir do segundo semestre de 2009, não houve tempo e nem recursos suficientes para atender à demanda do final do ano com a qualidade e segurança necessárias. Para piorar, as exigências e restrições, por parte do governo e das empresas contratantes, vêm aumentando. Com a justificativa de melhorar o trânsito nas cidades e nas estradas, em nome da segurança ou do meio ambiente, algumas vezes até por conveniência, são criadas cada vez mais taxas, vistorias, licenças, e restrições à circulação dos veículos comerciais. Tais fatores, não contemplados pelos indicadores de preços, reduzem muito a produtividade e encarecem substancialmente o serviço de transporte rodoviário de cargas.
Diante destes fatos constata-se a necessidade de se recompor imediatamente os valores de frete, para permitir a cobertura dos custos, a reposição das margens de lucro e assegurar os investimentos necessários para que a demanda de carga possa ser atendida dentro da normalidade. Caso contrário, o transporte rodoviário de cargas pode se transformar em grave ponto de estrangulamento para o alto crescimento econômico do país, previsto para este e os próximos anos.
É recomendável que os usuários dos serviços de transportes rodoviários de cargas revejam as suas políticas de contratação de fretes. Se não o fizerem, correm o risco de verem, muito breve, suas demandas não supridas, ou no mínimo, atendidas abaixo do padrão de qualidade e segurança necessário e esperado.
São Paulo, 5 de fevereiro de 2010
Por: Flávio Benatti
Presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
Manifestação do SETCERGS
Ao se manifestar sobre a nota assinada por Flávio Benatti, o presidente José Carlos Silvano lembra que Comissão de Equilibrio Concorrencial do SETCERGS divulgou a necessidade de recomposição das tarifas em até 15 % no final do ano passado, que foi o mesmo índice anotado pela NTC & Logística, agora corrigido para 18% contemplando estas atualizações de custos entre outubro/2009 e janeiro/2010.
- Penso não se tratar de índice de reajustes, mas de recomposição necessária, principalmente para os casos onde ocorreram reduções de tarifas em razão da crise 2008/2009. Em São Paulo, principalmente, houve pressão dos operadores logísticos e embarcadores por esta redução, na época aceita pelas transportadoras”, esclarece Silvano.
O presidente do SETCERGS , observa ainda que estas empresas que reduziram seus preços no período da crise, agora buscam, via NTC, recompor o que perderam, dai este índice de 18%. “Além das restrições para os caminhões transitarem nos grandes centro urbanos, as condições climáticas vêm gerando aumento de custos para as empresas, com queda de pontes e barreiras, dificultando as operações das transportadoras”, enfatiza Silvano.